O valentinianismo e a crise interna do cristianismo no século II

Quando se fala em grandes heresias dos primeiros séculos cristãos, costuma-se imaginar grupos marginais, fechados em círculos obscuros, afastados da vida ordinária das comunidades. O caso do valentinianismo rompe esse esquema. Entre os séculos II e III, o sistema elaborado por Valentim, um dos mais sofisticados mestres gnósticos, infiltrou-se no coração da Igreja, atraiu elites cultas, produziu literatura de altíssimo nível e quase se tornou, em certos lugares, uma alternativa interna viável ao cristianismo nascente.

Os Miseráveis, uma obra que denuncia o rigorismo jansenista

A França em que Victor Hugo escreve Os Miseráveis é uma nação ainda marcada por uma antiga ferida espiritual: o rigorismo jansenista. Embora o jansenismo tenha sido oficialmente condenado e o célebre Mosteiro de Port-Royal destruído no século XVII por ordem de Luís XIV, suas ideias e seu clima moral continuaram a infiltrar-se na cultura francesa por muito tempo.

O Maniqueísmo, a Heresia Dualista que Desafiou a Fé Cristã Primitiva 

No cerne da doutrina maniqueísta encontra-se uma narrativa mitológica grandiosa, herdeira do dualismo iraniano do zoroastrismo, mas levada às últimas consequências metafísicas. Antes do tempo, segundo Mani, existiam dois princípios eternos e opostos: o Reino da Luz e o Reino das Trevas. Estes não eram simples símbolos morais, mas realidades ontológicas absolutas, coexistentes desde sempre, incriadas e inconciliáveis.

Entre o Invisível e o Concreto: A Encarnação e a Pedagogia dos Sentidos à Luz da Metafísica Aristotélica

Os gestos concretos de Cristo, tocar, soprar, ungir, misturar barro, lavar e abençoar, não são simples encenações piedosas. Eles revelam uma teologia profunda enraizada na própria estrutura da realidade e na história da salvação. No Deus feito homem, a graça invisível se comunica por meios visíveis, e o mundo sensível torna-se via de acesso ao divino.

A Eucaristia como Fonte da Conversão e da Vida Penitente do Cristão

O Nº 1436 do Catecismo da Igreja Católica ensina que “a conversão e a penitência quotidianas têm a sua fonte e alimento na Eucaristia”. Essa afirmação revela a íntima ligação entre dois sacramentos que, embora distintos, convergem na mesma realidade: a reconciliação do homem com Deus e sua perseverança no caminho da santidade. A penitência é o retorno contínuo do coração ao Pai; a Eucaristia, o alimento que sustenta esse retorno.